É comum em Murici passar, todos os anos, uma banda com mais ou menos quatro músicos, cada um com seu instrumento, geralmente pratos e caixa de bateria, zabumba e pife (ou pífano) e mais duas pessoas, uma a cada lado da rua, carregando uma imagem de santo em fotografia emoldurada acoplada de um ramo de planta. Não tenho informações sobre se é o mesmo santo que em todos os anos é a figura carregada por este grupo, que dessa vez foi composto por 4 homens (músicos) e duas mulheres (carregadoras da imagem emoldurada). Os indivíduos não são sempre os mesmos que fazem parte deste grupo. Em entrevista quando os abordei, um músico (o de pife) disse que era contratado para tocar e que estava fazendo isso para arrecadar, além de dinheiro, objetos mais variados para a novena de Santa Luzia, que ocorreria ainda neste mês de novembro, em Maceió. Além disso, o músico informou-me que veio no ano passado por aqui e que faz o trajeto das cidades entre Maceió até a cidade de União dos Palmares. Percebi que em sua cesta que carregava nas costas haviam ovos de galinha, e percebi também que uma vizinha minha deu um frango vivo para eles levarem.
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Mesmo vivendo-nos numa sociedade globalizada e banhada na era da informação, não podemos deixar de questionar exaltivamente sobre a concepção enigmática da morte em nossa contemporaneidade. Já que, segundo Aranha (2002, p. 331) "a morte é o destino inexorável de todos os seres vivos"seja no plano animal quanto no social. Mas, em relação ao primeiro plano, o "animal" não tem consciência dessa fatalidade, no entanto, no plano social do homem ocorre um processo completamente inverso, este por possui uma consciência desta fatalidade é capaz de criar simbologias, cerimônias, rituais que podemos comprovar no percurso da história da civilização humana. É a partir desta reflexão que questionamos como desenvolveu essa consciência no mundo dos homens? E por que esse fenômeno apresenta diferenciações dependendo de determinados contextos culturais e sociais na sociedade ocidental? É em busca de responder a estas indagações que lançaremos um olhar sócio-antropológico tendo como pano de fundo as concepções encontrada no cotidiano dos moradores da cidade de Murici/AL.









